17 agosto, 2012Por Cris Tamer

Madonna “toda trabalhada no Balmain”, no seu mais recente clipe “Turn Up The Radio”. A música é ótima, a letra “alto-astral” e o clipe é divertido e lindo, pois tem Florença como cenário.

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

E esse clipe me fez lembrar de um texto que adorei, escrito pela jornalista  Vivian Whiteman (ela tem um blog ótimo!) na revista Serafina, da Folha de são Paulo do dia 28/07. Achei excelente!

 

 

Incomodada ficava a sua avó!

VIVIAN WHITEMAN
DE SÃO PAULO

Pensem, leitores, pensem: afinal, o que é ser velho? Existe um comportamento, um modo de pensar e, para fechar o pacotinho, um tipo de roupa adequados para quem passou dos 50, dos 60, dos 70? E quem determina essas regras?Pagar peitinho não pode, pelo jeito. Madonna, gata e gostosa aos 53 anos bem vividinhos, faltou ser apedrejada nas últimas semanas por causa de um inocente mamilo exposto.

Gal Costa, coitada, teve de ler absurdos quando mostrou os dela no palco, às vésperas de completar 50. Obviamente, as duas não estão nem aí para a caretice alheia. Querem mais é dar peitadas na cara da sociedade -vai saber, de repente assim o pessoal acorda para a vida. Força, musas!

Madonna, diva, cantora, dançarina, deveria largar o mundo de gente que espera seus hits para arrasar na pista e, sei lá, se juntar às “moderninhas retrô” de 20 e poucos anos que acham o máximo tricotar e passar o dia garimpando coisinhas antigas e fofas?

Deveria ela comprar um ukulelê, botar umas roupas estilo socialite aristocrata, deixar os cabelos brancos e enterrar seu passado de musa babadeira nos arquivos? Ah, por favor, que coisa mais chata.

Uma pessoa e, principalmente, uma mulher que esteja na reta final dos 40 fica entre a cruz e a caldeirinha, ambas pilotadas por exércitos de linguarudos, víboras que falam em nome de um pretenso bom senso. Se fizer plástica, colocar botox e usar roupas sexies, é ridícula, tem problemas para envelhecer, é motivo de vergonha, perua, palhaça, doente etc.

Se deixar o tempo passar “naturalmente”, tem de encontrar uma fórmula mágica e gastar os tubos em tratamentos “light” para não ser chamada de caída, acabada, derrubada, bruxa e outras fofuras mais.

não pode ser muito sexy nem desencanada. não pode dançar com muita animação, a não ser que seja bailarina da Pina Bausch ou pratique ritmos de salão. não pode usar muito vermelho, mas também não convém abusar do bege. não pode ter cabelo longo nem usar decotão, mas nada de comprar túnicas muito pudicas. Pode, não pode, pode, não pode. é de enlouquecer.

Pois para o inferno com esses encostos de Moisés que estão sempre prontos a recitar mandamentos tirados sabe-se lá de onde. Assim como não existe um padrão absoluto do que seja uma mulher jovem em termos de comportamento e imagem, a “velhota ideal” também não existe.

Nem só de dona Benta vive o horizonte das mulheres que ultrapassaram a barreira das cinco décadas, meu bem. E você, se ainda é jovem, não entre para o grupo de machistas (de ambos os sexos) e corneteiros da idade alheia. Ai, amiga, incomodada com o look dos outros ficava a sua avó!

 

P.S. da Cris: Acabei de me lembrar também de Aaliyah, cantora de R&B que eu adorava (infelizmente ela faleceu em um desastre de avião aos 22 anos) cujo primeiro álbum se chama “Age Ain’t Nothing but a Number” (“Idade é só um número”). é para pensar.

Bom, esse post é papo longo…

108